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Noticia retirada  do Forum ambiente de Abril de 2002. O país a pedalar.
A febre das bicicletas para fins de lazer parece ter conquistado Portugal. A este aumento não terá sido alheio o aumento da oferta ao nível do número de ciclovias. Contudo, se descontarmos o caso exemplar de Aveiro, a utilização da bicicleta como meio de transporte tarda em afirmar-se.
Apesar disto, o uso de bicicletas no nosso país tem vindo a crescer nos últimos anos. Se num estudo apresentado pelo Eurobarómetro em 1991 apenas um em cada quatro portugueses possuía bicicleta, ou seja, cerca de metade daquilo que ocorre com os automóveis, a evolução ao longo dos tempos parece apresentar uma tendência favorável, embora não existam muitos valores concretos. O único indicador que parece mostrar essa tendência é, sem dúvida, a venda de bicicletas novas, segundo dados recolhidos junto do Instituto Nacional de Estatística. Se durante a década de 80, as vendas anuais se situavam entre as 74 mil e as 143 mil unidades, os últimos dez anos foram de franco crescimento. Nos anos 90 registou-se uma média anual de 280 mil bicicletas, tendo-se em dois anos (1996 e 1998) ultrapassado as 400 mil unidades vendidas. Mesmo assim, esta evolução faz que Portugal ainda esteja longe de países como a Holanda, Dinamarca e Alemanha, onde qualquer cidadão tem, pelo menos, uma bicicleta que usa regularmente.

No entanto, o tipo de utilização da bicicleta em Portugal é bastante distinto daquele que se verifica em países do Centro e Norte da Europa. "Por exemplo, na Dinamarca, cerca de 30 por cento das deslocações, incluindo as de trabalho, são feitas por bicicleta", afirma Manuela Raposo Magalhães, professora do Instituto Superior de Agronomia.
No Grande Porto e concelhos envolventes, um estudo feito pela Direcção Geral dos Transportes Terrestres revelou que apenas 16 por cento das pessoas se desloca para o trabalho de bicicleta ou a pé, sem contudo diferenciar as percentagens.
De qualquer modo, em Portugal é evidente que a bicicleta é maioritariamente usada sobretudo para fins lúdicos.

Tendo em conta que , de acordo com vários, estudos, se verificou que 30 por cento das viagens de automóvel cobrem distâncias inferiores a três quilómetros e 50 por cento fazem menos de cinco quilómetros, a questão essencial é conseguir novos adeptos para a causa das bicicletas.
"Está demonstrado que o maior obstáculo são os declives superiores a cinco por cento ou até oito por cento, se os troços forem reduzidos" , salienta Manuela Raposo de Magalhães.
As vantagens da bicicleta não são apenas ambientais e urbanas. Também o são ao nível da saúde. Por exemplo, estudos britânicos revelam que os ciclistas regulares gozam de uma forma física equivalente aos indivíduos dez anos mais novos. Ou, por outro lado. a partir dos 35 anos quem pedalar um pouco mais de 60 quilómetros por semana pode acrescentar mais dois anos à sua esperança de vida. Mesmo para aqueles que sejam mais "preguiçosos", um outro estudo holandês conclui que viagens regulares de apenas três quilómetros seriam suficientes para melhorar a forma física.

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