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Artigo retirado do jornal O mundo em Português
Ano IV - Nº 41, Fevereiro de 2003

"O mundo árabe no prelúdio da guerra" - Karim El-Gawahry (Jornalista, Cairo)

Os regimes árabes estão conformados com a ideia de que a guerra vai acontecer e cooperam, mais ou menos abertamente, com os EUA. Para a maioria, a prioridade já não é evitar a guerra mas sim minimizar os estragos consequentes.

"Uma guerra no Iraque abriria uma caixa de Pandora, cheia de problemas para toda a região", declarou o Secretário-Geral da Liga Árabe, Amru Musa, no Dubai, num encontro sobre a economia dos Estados do Golfo.(...) Para não contrariar demasiado os EUA, segue-se muitas vezes a esta conjuntura que somente Saddam Hussein poderá, através do cumprimento das resoluções das Nações Unidas, evitar um ataque militar.

Movimentações árabes

A maioria dos Estados do Golfo vizinhos do Iraque colocaram os seus territórios à disposição das tropas americanas. A base mais importante, do ponto de vista estratégico, para as forças terrestres norte-americanas, é o Koweit. Um quarto do país foi já declarado zona militar fechada e mais de 17 mil soldados encontram-se estacionados no pequeno emirado, junto à fronteira iraquiana. Dentro de algumas semanas, deverão encontrar-se na região cerca de 150 mil soldados americanos, grande parte deles no Koweit. No Bahrain, entretanto, prepara-se para entrar em acção a 5ª frota americana, responsável pelo Golfo. (...) Já o pequeno emirado do Qatar voltou a assumir um papel importante com a assinatura de um acordo formal de cooperação militar com os EUA, que permite às tropas americanas a permanência no Golfo durante os próximos 20 anos.(...) Nos Emirados Árabes Unidos estão igualmente sediados cerca de 500 pára-quedistas, enquanto no Sultanato de Oman, cerca de 224 aviões, estacionados na base aérea de Al-Seeb, se preparam para entrar em acção. Ainda não é claro se os 10 mil soldados americanos que se encontram na Arábia Saudita entrarão em acção.(...) Na Jordânia mantêm-se os rumores de que forças especiais americanas se encontram na fronteira com o Iraque.(...) Ao Egipto os EUA pedem, sobretudo, a protecção dos navios de guerra que atravessam o canal do Suez, já que o estacionamento de tropas estrangeiras no canal constitui, devido à história colonial egípcia, um tabu.(...)

A opinião pública: o factor incalculável

Enquanto os governos árabes procuram organizar-se, são sobretudo as opiniões públicas internas que lhes causam maiores dores de cabeça, uma vez que se manifestam claramente contra a guerra e contra qualquer forma de cooperação com os EUA. Ao contrário da última guerra do Golfo, em 1991, os meios de comunicação social já não se encontram, na sua totalidade, sob controlo estatal. As estações televisivas por satélite árabes, sobretudo, têm vindo a assumir posições críticas quanto à guerra e quanto ao papel dos governos árabes.(...) Como reagirá de facto a população árabe se a guerra rebentar é ainda, no entanto, uma incógnita.

Opinião de Portugal

Mapa étnico do Iraque

{slicer Indicadores básicos do Iraque}