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Jornal Publico

A inflação homóloga ficou abaixo de zero pela primeira vez em quase meio século, mas entre os economistas não há festejos pela descida de preços. A ameaça de deflação, embora ainda distante, preocupa.


Para já, numa coisa todos os economistas concordam: aquilo que se passa agora em Portugal não é ainda deflação. Para se poder dizer que uma economia está em deflação é preciso que as descidas de preços sejam persistentes ao longo de vários meses, se verifiquem na grande maioria dos produtos e influenciem de forma decisiva as expectativas para o médio prazo das empresas e dos particulares.

As duas primeiras condições estão ainda longe de se concretizar. Para já, só temos um mês de inflação negativa e, em 148 categorias de produtos classificados pelo INE, são apenas 50 as que apresentam descidas de preços.

Aliás, olhando para os números ontem divulgados, torna-se claro que para a descida de preços registada em Março, existe um contributo muito forte de um único tipo de produto: os combustíveis. Um contributo que, prevêem os analistas, se pode vir a desvanecer na segunda metade deste ano.

Em Março, o preço dos produtos energéticos caiu, em média, 11,2 por cento face ao mesmo período do ano anterior. E retirando estes bens dos cálculos, a taxa de inflação homóloga não seria de -0,4 por cento, mas sim de 0,8 por cento.

A influência dos produtos energéticos na actual descida de preços acaba por ser também a grande esperança de que a situação, até ao final do ano, se venha a normalizar. É que foi precisamente em meados do ano passado que o mercado petrolífero mundial bateu os recordes de subida, corrigindo as cotações a partir de Agosto. Este facto afecta a inflação homóloga que se regista este ano.

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Produtos com maiores variações de preços

Combustíveis lideraram queda em Março

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A taxa de inflação homóloga em Portugal

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Variação homóloga – Sinais de crise em Portugal

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Perguntas e Respostas

Os perigos da deflação, os mais prejudicados e o papel das autoridades

1. O que é a deflação?
É uma descida persistente (de vários meses consecutivos) dos preços que se regista na generalidade dos produtos e leva à criação de expectativas de uma inflação negativa a médio prazo.

2. Por que é perigosa?
Com a expectativa de descida dos preços, as empresas e os particulares poupam mais e investem e consomem menos, prolongando a contracção da actividade económica e alimentando novas descidas de preços. Como as autoridades têm poucos meios para contrariar este ciclo vicioso, o problema pode prolongar-se por muitos anos, como aconteceu durante a Grande Depressão e na crise japonesa dos anos 90.

3. Quem é mais prejudicado?
Potencialmente, todos sofrem, porque se entra num período de estagnação económica, com desemprego elevado e sem subidas de rendimento que permitam o aproveitamento dos preços baixos. Mas os mais afectados são aqueles que estão endividados, já que a sua dívida, em termos reais, pode agravar-se. Quem tem empréstimos a taxa fixa fica numa situação particularmente penalizadora.

4. O que podem fazer as autoridades?
Os bancos centrais podem baixar as taxas de juro, para reanimarem o consumo e o investimento, com acesso ao crédito. No entanto, mesmo que coloquem as taxas de juro nominais a zero, elas ficam sempre acima da inflação. É por isso que as autoridades monetárias aplicam as chamadas medidas quantitativas, que consistem na emissão de dinheiro que é emprestado de forma mais directa às empresas e particulares. Os bancos centrais estão já nesta fase. Do lado dos governos, o combate à deflação passa pela introdução de estímulos orçamentais, seja por aumento da despesa e investimento público, seja pela redução de impostos, na esperança de que o consumo e investimento privado subam.

5. É uma ameaça só em Portugal?
Não. Todos os países do chamado mundo desenvolvido correm este risco. Nos EUA, a taxa de inflação homóloga já está perto de zero e, na Europa, países como a Alemanha, a Espanha ou a Irlanda mostram-se especialmente vulneráveis. No Japão, que só há três anos conseguiu sair de uma década de deflação, os sinais de perigo são dos mais intensos.

 

Consultar mais informação:

Destaque do INE de 13 de abril de 2009
http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=53643958&DESTAQUESmodo=2

Dossiê III do ALEA – “A inflação e o Índice de Preços no Consumidor"